Percurso Artístico

 

 

 

 

Em 1924, os Cultivadores da Canção Nacional (como diz no Cartaz)  Alfredo Marceneiro com Pedro RodriguesJoão Maria dos Anjos  e  José Leitão  participam na primeira «Festa do Fado», organizada pelo poeta António Boto nos palcos do São Luiz.

Em 1929 ganha uma Taça de Prata, no 'Teatro Joaquim de Almeida' num concurso de fado na Festa de Homenagem ao Poeta Frederico de Brito (Britinho), por votação do publico.

 

Em 1930, no recinto Sul-América, que se situava à Rua da Palma, num Concurso de Fados em que se apresentaram todos os grandes fadistas desse tempo, Alfredo Marceneiro arrebata o troféu de que mais se orgulhou em toda a sua vida, a "Medalha de Ouro".

Alfredo Marceneiro e os prémios

Marceneiro conta os prémios que ganhou e como aconteceu

 
 
 

 

Este concurso teve um júri de conceituados poetas e jornalistas, sendo o primeiro prémio atribuído por unanimidade, premiando a forma correcta como dividiu os versos, nas orações e na pontuação do fado que  cantou  "O REMORSO".

 

Nos anos 30 Alfredo Marceneiro trabalhava nas oficinas do Diamantino Tojal, situadas na Vila Berta, à Graça. Como as  Construções Navais   (Arsenal do Alfeite) tinham vagas para marceneiros e a féria era superior, candidata-se  é contratado, tendo por isso feito mobiliário para alguns navios mercantes  e  de guerra. Mais tarde as Construções Navais passaram para a administração da C.U.F. pela mão do industrial Alfredo da Silva.

 

Alfredo Marceneiro continuou a sua actividade no ofício e no Fado, sendo bastante solicitado pelos seus camaradas operários para actuar nas festas que organizavam, numa delas em Dezembro de 1937, os electricistas do Arsenal de Marinha pedem ao poeta João Linhares  Barbosa, que sabiam ter por ele grande admiração, para escrever algo em sua  homenagem.

 

Eis o poema de  Linhares Barbosa  mandado gravar numa  placa,  que lhe ofereceram como sinal de admiração:

 

 

 

Tem na garganta um não sei quê de estranho,
Que perturba e nos faz cismar:
É dor? É medo? São visões d'antanho?
Amor? Ciúme? É choro? É gargalhar?

 

É voz do fado - dizem - e eu convenho
Que ande na sua voz a voz do mar,
Onde Portugal se fez tamanho
E aprendeu a cantar e a soluçar.

 

O Marceneiro tem aquela atroz
Sonância d'onda infrene que em rochedo
Fareja e morde, impiedosa e algoz.

 

É voz roufenha que nos mete medo,
Mas que atrai, que seduz... É bem a voz
Do fado rigoroso, a voz do Alfredo.

 

 

Em 1930 no concurso organizado no Retiro da Severa  para a disputa do título de Marialva, ganha o segundo lugar.

Em 1930 é atracção da Revista  'O Baile dos Quintalinhos'  escrita por Avelino de Sousa que metia patuscadas fora de portas e também naturalmente FADOS.

 

Ainda em 1930 participa numa Opereta levada à cena no Coliseu, intitulada "HISTÓRIA DO FADO", de que são protagonistas a Beatriz Costa  (de quem se torna amigo para o resto da vida) e Vasco Santana.

Em 1936  é contratado durante uma semana de 'grande sucesso', com duas sessões diárias de fado, no 'Teatro Variedades'.

 

Em 8.1.1933 participa num Musical no  Cine-Parque  do Júlio das Farturas, no Parque Mayer, uma Festa Artística com Fandango, Tangos e Fado.

 

Em 1939  participa com Berta Cardoso  a cantar no filme de António Lopes Ribeiro, "O Feitiço do Império",  com António Silva, Ribeirinho e António Vilar. As filmagens foram no 'Teatro Variedades', no 'Colete Encarnado' e no 'Avis Hotel'.

 

Em 10.5.1941 no Solar da Alegria, o empresário José Miguel organiza um espectáculo intitulado: "Festa Artística de ALFREDO MARCENEIRO"

 

Em 21.6.1941 no Solar da Alegria, para  homenagear Alfredo Marceneiro Henrique Rêgo escreveu um "ensaio poético" com o título   "ALFREDO FADISTA DA ACTUALIDADE",  em que ele contracena com  Leonilde Gouveia no papel de Severa e Manuel Calisto no papel de Conde do Vimioso.

Como alguém disse  'é de noite que se passa um dia com Alfredo Marceneiro',  ao som do Fado VIELA com musica do fado cravo e fazendo a 'ronda'  pelas Casas de Fado do Bairro Alto acompanhado pelo neto Valdemar, onde passam pelo 'Lisboa à Noite'

de Fernanda Maria  e 'Adega Machado'. de Armando Machado

A festa dirigida por Filipe Pinto,  onde actuaram muitos fadistas, homens e mulheres,  grandes nomes da época.  Alfredo,  cantou vários  fados, um houve, com música do Fado Cravo, de sua autoria, e com letra do Dr. Guilherme Pereira da Rosa (Director do Jornal O Século), uma das suas grandes criações:   "A VIELA".